Saiba tudo sobre a pescaria dos peixes de couro


Dicas de Pesca: Peixes de Couro em Pesqueiros

Reportagem elaborada por Bruno Pirarara

Histórico:

Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade de estar podendo expressar minhas opiniões através desta matéria, e se puder, ao menos, transmitir algum conhecimento ou ensinamento para algum colega pescador, já me darei por muito satisfeito e realizado. Acredito que minha história é igual a de muitos pescadores que se identificarão com a matéria abaixo.

Comecei com 10 anos, onde aprendi a pescar com meu pai em arrozais e açudes em JOINVILE-SC. Traíras, Mandis e Carás eram os peixes e o material, varas de bambu. As iscas eram minhocas e pedaços de peixe. Apaixonei-me por pescar Traíras, tanto na espera, como na busca por elas. Uma vez tive a oportunidade de pescar um Jundiá, Mandi grande, e ai nasceu à semente da busca de peixes grandes.

Um dia comprei de um ambulante um kit de molinete e umas iscas, a partir deste ponto, passei a freqüentar todos os pesqueiros, e utilizava o mapa pesqueiro, aquele que trazia o mapa da grande São Paulo, pontuando nas rodovias todos os principais pesqueiros e aos poucos investindo na tralha, ora comprando um molinete, ora melhorando a qualidade da linha e assim por diante.

Posso dizer sem erro que fui a mais de 80% dos pesqueiros, onde destaco o Maeda, Pesqueiro da Marlene, mais tarde tornando-se Tio Oscar, Maravilha, hoje Pesqueiro Feroz, Taquari, Pantanosso, Estância Pesqueira Campos, Pesca e Companhia, Vale do Peixe, Holiday e alguns da região do Riacho Grande, sempre atrás de grandes exemplares. Nesta época já frequentava as poucas pescarias noturnas disponíveis nos pesqueiros, já tinha também me apaixonado por pescar a noite.

Sempre atrás de peixes grandes, seja pacus, cacharas e dourados, nesta época, estamos falando de 18 anos atrás, era muito difícil fisgar peixes com mais de 10 quilos, acabava de nascer a pesca Esportiva, a maioria dos pesqueiros ainda usavam o sistema de pesque e pague, o qual não tinha objetivo de ter peixes grandes e sim pequenos e no máximo médios.

Com a pesca esportiva nascendo nos pesqueiros, e se difundindo rapidamente, começava a busca por peixes grandes e brigas memoráveis, não só minha, mas de outros pescadores. Os peixes eram, na sua maioria, exemplares antigos dos lagos, que aprenderam a sobreviver às iscas dos pescadores e por esta razão, ariscos por natureza.

Nesta época já pescava com anzóis sem farpa, inicialmente cumprindo as regras dos pesqueiros, mas depois percebendo a necessidade da preservação dos bons exemplares, raros nos lagos. Também usava o alicate tipo grip, mas depois vendo o que ele pode causar aos peixes, abandonei o uso freqüente desta ferramenta.

Comecei a registrar todas as pescarias, utilizando as agendas do pescador, vendidas junto com as revistas de pesca. Marcava tudo, material, iscas, local, quantidade de peixes, tamanho e tipo dos peixes. Hoje faço isso via computador e faço tabulações para analisar as pescarias e ajudar no planejamento das próximas.

Como todo pescador de sofá, lia todas as revistas e assistia aos programas de pesca disponíveis na TV, ainda não era tão difundida a internet há 5 anos, tentando buscar lugares, horários, materiais e técnicas para garantir boas pescarias.

Um dia na Loja Big Fish, encontrei o Diogo, apresentador do Pesca Alternativa, que passava na antiga TV Aberta, depois, Canal Comunitário, Record e hoje no SBT, e ele me falou sobre um pesqueiro chamado Castelinho, o qual tinha gravado uma matéria, onde tinham fisgado 3 Pirararas, entre 6 e 9 kgs, com forte briga, forma da puxada, grande tomada de linha e esportividade impressionantes.

Foi dia 26/09/04, sábado que foi no ar o programa e assim que acabou, liguei para o Castelinho e pedi informações. Numa quarta-feira fui ao pesqueiro de ônibus e fiquei 3 dias, onde pesquei principalmente à noite, na época, no antigo lago vip. Em 3 noites foram 20 Pirararas, várias Cacharas e Pintados. Usava Lambaris e Tilápias como isca, na volta, entrei no ônibus na rodoviária em São Pedro e só fui acordar na rodoviária do Tietê em São Paulo.

O começo de tudo.......

Voltei nos dois finais de semana seguintes, cada um, com cada filho meu, devido à agenda deles, sabe como é, sacrifício de pai, também de ônibus e a mesma fartura de pesca se repetiu.

A partir destas 3 pescarias, onde pude experimentar pescar esportivamente vários peixes entre 10 e 17 kgs, principalmente peixes de couro, com a adrenalina a mil, tornei-me um aficionado pela Pirarara e o Pesqueiro Castelinho Pesca e Lazer.

Vou dizer o que em minha opinião é uma boa pescaria:

1) Tem de ser um lugar que você se sinta bem, agradável, que você se identifique, não dá para ficar em um lugar incomodado com alguma coisa.

2) Tem de ser um lugar que te de expectativa, esperança pra ficar o dia todo, ficar a noite inteira, às vezes de baixo de chuva, viajar vários quilômetros, carregar quilos e quilos de tralha, para pegar aquele peixe especial, um Dourado, uma Pirarara, um Jaú, um Pirarucu, etc., enfim algo que realmente te motive.

3) Tem de ter boa companhia, família, amigos, ou um lugar que você encontre colegas com mesmo ideal que você.

Mas espera ai, e o peixe não conta? Bom…. ai…… se entrar aquele peixe que te motivou a pescaria, num lugar agradável, que te deixe feliz e a vontade e com a companhia da família, dos seus amigos e colegas, não estamos falando mais de uma boa pescaria, mas sim de uma SUPER PESCARIA!

O Castelinho pra mim tem tudo isso, mesmo quando vou sozinho, me instalando no meu cantinho, na rede ou na barraca, sempre tem bons amigos, colegas e companheiros, sempre dispostos a ajudar e dividir glórias e experiências dos peixes fisgados ou lamentar aqueles perdidos, ou mesmo dividir a espera cansativa, mas prazerosa pela chance de ter ação e ataque dos peixes.

Realmente eu encontrei no Castelinho tudo isso e muito mais, super apaixonado por acampar também, lá eu posso unir essas duas paixões, pescar e acampar. Estar acampado na beira do lago, pertinho das varas, curtir todo o prazer de montar um pequeno acampamento, fazer a própria comida, um churrasco com os amigos, um cafezinho na madrugada, que faço questão de dividir com colegas, dando uma volta no lago, ao amanhecer, com meu pequeno bule ou garrafa térmica, afinal, depois de passar uma noite inteira na beira do lago, nada mais justo que um bom cafezinho no inicio do dia para ajudar na espera pelo troféu.

Tenho hoje registrado todas as Pirararas que fisguei no Castelinho, marcando data, horário, ponto do lago e o peso. Com este material, fonte de estudo e forma de planejar minhas pescarias, posso testar e aumentar a eficiência em minhas pescarias.

Locais de frequência de fisgadas

Graças a este material e ao próprio pesqueiro Castelinho, pude convidar meu amigo Diogo do Pesca Alternativa, retribuindo a indicação dele no passado, levando-o para uma pescaria de peixes de couro no Castelinho onde pude mostrar algumas Técnicas e equipamentos que desenvolvi para este tipo de pesca, que gerou o Programa número 33, em busca das Pirararas. Particularmente uma grande realização para mim, sem preço, tipo não é mastecard que paga.

OS SEGREDOS DE UMA BOA PESCARIA

O alarme eletrônico

A melhor forma de utilizar o alarme de janela como alarme de pesca é fixar as duas partes do alarme na extremidade de dois pedaços de bambu com aproximadamente 1,5 cm de largura e 30 cm de comprimento. Em seguida, basta amarrar 3 pedaços de 50 cm de barbante na haste do bambu que contém o sensor e na outra extremidade de cada barbante, prender 3 garras, utilizadas nos crachás.

Para montagem no local da pesca, basta posicionar 3 varas em linha e bem perto uma da outra, fincar a haste do sensor no meio das 3 varas, distante uns 40 cm, fixar as garras nos suportes das varas, deixando o barbante ligeiramente esticado, com pressão mínima. Fincar a haste que contém o alarme ao lado da haste do sensor e observar a marca de acionamento que esta em alto relevo nos dois dispositivos, para facilitar, pode-se pintar estas marcas deixando-as mais visíveis.

O próximo passo é ligar o alarme através de um botão na lateral e testar o acionamento, todo alarme independentemente da marca tem um campo de acionamento da sirene, e o segredo é deixar este campo próximo ao ponto mínimo para acionamento.

Pronto, quando o peixe pegar a isca, puxando a linha e tencionando a vara, esta vai mover o suporte fincado na terra, puxando o barbante e acionando o alarme. Pela elasticidade do bambu, se for somente um único puxão a haste voltara à posição dentro do campo de não acionamento. Basta explorar este campo e a tensão no barbante de acordo com o suporte e a firmeza da terra, que o mesmo estiver fincado, para ter sucesso com o alarme de janela. Pode-se utilizar outros materiais para a haste além do bambu, mas este foi o material com custo beneficio melhor e mais simples que encontrei.

Quantos não foram os peixes perdidos, por não perceber a fisgada do peixe, às vezes estando perto ou mais longe das varas, cochilando, conversando, montando o acampamento, etc.

A Pirarara quando pega e carrega a isca, não dá trancos na linha para fazer a vara balançar o guizo (sininho), simplesmente ignorando o peso da linha e a fricção do molinete ou carretilha, ela vai puxando progressivamente com força em uma única direção. Já vi vários pescadores perderem muitos metros de linha, equipamentos completos com salva-vara e tudo, caixas de pesca, galhos de árvores quebrados e até pequenas árvores arrancadas na margem, pelos peixes grandes do Castelinho.

O Salva-vara

Normalmente os salva-varas encontrados no mercado, não são indicados para pesca de grandes peixes.

Eu utilizo fitas de náilon, usadas em bolsas, ou cordas de náilon em um comprimento de 2,5 mts preso (amarrado) na vara, sempre depois da carretilha ou molinete. Se prender antes se certifique que esteja bem preso. Na outra extremidade, utilizo um mosquetão tamanho médio para prender de forma rápida em outro suporte, diferente daquele que a vara esta presa.

A vantagem de ter o salva-vara preso a vara é que na hora da fisgada, quando você precisa retirar a vara do suporte, ela esta livre e o salva-vara com 2,5 mts de comprimento, permite mobilidade para a briga com o peixe até que possa, no momento certo, retirar o mosquetão do outro suporte, sem falar que se algo acontecer ao suporte que a vara esta presa, o segundo suporte, através do salva-vara ira aumentar a chance de proteção ao seu conjunto.

Aconselho prender o salva-vara ao seu cinto, após a retirada do suporte, para que se na hora da briga ou na retirada do peixe da água, seu conjunto esteja protegido de um eventual deslize e vara escapar de suas mãos, principalmente à noite em que o sereno deixa úmido o cabo da vara ou em dias de chuva. Já tive a infelicidade de presenciar um pescador perder seu conjunto ao dar ponta de vara na hora da briga e também por duas vezes ao retirar Pirararas da água, estas estavam carregando conjuntos inteiros presos as linhas na boca das mesmas, um deles pelo estado de avaria, deveria estar há muito tempo, provavelmente os conjuntos não estavam bem protegidos.

Suporte Reforçado

A história do meu suporte reforçado nasceu depois de tantos suportes convencionais entortados, quebrados e arrancados da terra pelas Pirararas em minhas pescarias.

O desenvolvimento teve 4 versões e a versão atual, cor branca, esta aperfeiçoada para agüentar bem o tranco de uma puxada de Pirarara com meia fricção na carretilha, para dar uma fisgada parcial, posicionado a 45 graus, e agüentar a tomada de linha até que o pescador venha retirar a vara do suporte. Mas sempre, por segurança, amarre a vara em outro suporte ou outro local, pois zelo em segurança nunca é demais.

O suporte reforçado possibilita melhor eficiência na pesca lateral, ou de barranco, inclusive se o peixe correr em sentido contrário ao que o suporte estiver posicionado e em situações severas de muita força exercida pelo peixe.

Cabo da vara e a lubrificação

Por causa do sereno e dias de chuva, eu enrolo fitas de câmara de ar de bicicleta em volta dos cabos das varas para dar maior firmeza nas mãos e também para proteção dos cabos. Para melhorar, recomendo o uso de luvas na hora da briga com peixes grandes.

Não esquecer de usar um WD ou WM ou outro óleo protetor, para lubrificar periodicamente as carretilhas, molinetes e roldanas, porque sol e chuva consecutivas em dias seguidos acabam por engripar ou dar margem a criar oxidação no equipamento, principalmente se for guardado por muito tempo.

Não esquecer de soltar totalmente a fricção ao guardar o equipamento.

Carretilha ou Molinete

Eu sou assumidamente adepto de molinetes de boa qualidade, Daiwa( BG 90) e Penn (750SS), mas não posso deixar de reconhecer a vantagem que a carretilha leva em brigar com peixes grandes, não só pela posição do carretel, que facilita e minimiza o esforço para enrolar, mas pela capacidade de armazenamento de linha, fundamental na briga dos grandes peixes e resistência nas longas brigas.

A vara

A vara tem duas características importantes: a Ação e a Potencia.

Em minha opinião a vara para os peixes grandes tem de ser de AÇÃO média entre 60 e 80 Lbs, pois se a vara for rápida (flexiona 25% a partir da ponta da vara), ou seja, dura na libragem de 120 lbs, ela não cansará o peixe e forçará o braço do pescador em uma briga com mais de 40 minutos.

Por outro lado se ela for AÇÃO lenta (flexiona ao longo de quase toda extensão da vara) o pescador não terá arrasto para trazer o peixe, forçará a fricção demasiadamente e a briga se arrastara por mais tempo, correndo o risco de fadigar alguma parte do equipamento ou perder o peixe.

Para a Potência da vara, ou seja, o tipo de construção e material, recomendo varas para pesca média pesada à extra pesada ou heavy (MH, H, XH).

Particularmente prefiro as tubulares pelo peso da vara, mas nada contra as de fibra de vidro ou de carbono maciças, inclusive tenho deste tipo nos meus conjuntos.

A Ponteira com roldana

Tenho também de reconhecer as vantagens da ponteira com roldanas por minimizar o esforço, poupar a linha do atrito no passador, aliviar a força para a fricção e deixar a briga para a vara e o braço do pescador. Imagine puxar um saco de cimento de 50 kgs com uma corda do centro de um prédio alto, com a corda raspando no beiral do prédio, se tivesse uma roldana ficaria mais fácil e a corda não desfiaria ou esquentaria??? A resposta é sim.

A linha

É o elo direto entre o pescador e o peixe e não pode ser menosprezado, principalmente se o objetivo é fisgar peixes grandes a linha deve ser de boa qualidade e bitola adequada, 0,70 - 0,80 ou 0,90mm.

Particularmente eu prefiro 0,80mm da super raiglon importada. Claro que há casos de retirar peixes grandes com linha 0,37 e equipamentos mais leves, até levado como grandes feitos, mas na verdade, fruto de uma série de fatores e muita sorte.

Não dá para generalizar e indicar, afinal o conjunto tem de estar apropriado e pronto para as piores situações na briga com grandes peixes de couro.

O ideal é ter pelo menos 150 mts de linha, 100 mts as vezes não da para conter a primeira arrancada e domar o peixe.

Da para usar linhas de multifilamento sem problema desde que superior a 80 lbs, mas ela é muito sensível nas estruturas, podendo romper.

O empate

Deve ser com um anzol de 9 a 12/0, com a farpa esmerilhada ou amassada, cabo de aço para 100 lbs com 20 a 40 cms e um bom girador número 4. Agora o segredo esta na montagem, utilizando luvas reforçadas de latão e com voltas duplas bem apertadas.

Podem-se utilizar anzóis menores e até não usar cabo de aço e sim linha trançada, mas o objetivo é colocar o conjunto mais apropriado para a pesca de grandes peixes de couro nas diversas situações, ex: se a pesca for de jaús em pedras tem de usar cabo de aço.

Segurança e acessórios

Com toda certeza o item segurança é um dos mais importantes, porque o pescador tem de estar em perfeitas condições de saúde e ter segurança e tranqüilidade ao pescar.

Para isso vale lembrar de levar alguns itens para encarar uma pescaria noturna e dois ou três dias de pesca, mesmo em pesqueiros.

- Caixa de primeiros socorros com gaze, anti-séptico, esparadrapo, comprimidos para dor, pomada para dor muscular, sal de frutas, tesoura, agulha, etc. - Capa de chuva, prefiro aquelas capas de motoqueiro emborrachadas para proteger melhor na pescaria na beira dos lagos e contra furos que podem ser causados pela vegetação, podendo provocar ferimentos. - Tênis confortável e Bota de plástico para a chuva e andar no mato. - Boné ou chapéu normal e boné impermeável ou de couro para chuva. - Toca de lã para o frio e sereno. - Jaqueta ou blusão para a madrugada. - Lanterna comum e lanterna de cabeça com pilhas para iluminar os caminhos. - Lampião e camisinhas. - Repelente (liquido e velas) e um bom protetor solar. - Barraca pequena, capa plástica e um pequeno edredom. - Luva e cinto com suporte de vara. - Óculos de sol para proteger os olhos de possíveis impactos além do sol. - Apito, celular, rádio ou outro meio de alertar companheiros mais distantes. - Panos para limpeza, toalha para rosto. (não economize). - Alicate de corte e universal.

Toca de Lã, Agasalho, Capa de chuva e bota

Lanterna, Luva e Cinto apoiador de vara

Lanterna de cabeça e Capa de chuva

A Foto, a pesagem e a soltura

É comum ver em revistas, um peixe de 5 quilos com o rótulo de 10 quilos.

Por esta razão comecei a pesar e registrar o peso nas minhas fotos, sendo o mais real e imparcial possível, porque ao longo do tempo, você vai ganhando respeito dos colegas pescadores e credibilidade nos relatos e histórias de pescarias.

Mesmo sozinho, na maioria das pescarias, utilizo o temporizador da máquina digital com ajuda de um banquinho ou tripé. O ideal é chamar um colega para bater a foto, mas nem sempre é possível. Sempre deixe a máquina fotográfica regulada para autoflash, 2 fotos automáticas e com o mínimo de 2 megapixel, para ter boa qualidade de foto e ganhar tempo, vital para o bem estar do peixe.

A balança digital é mais fácil de usar e registrar o peso além de ter maior confiabilidade na medição, as balanças normais tem erro de aproximadamente 1 quilo. A balança de banheiro é a melhor forma de pesar peixes acima dos 50 quilos, bastando descontar o peso do pescador do peso total.

Para não machucar o peixe, o ideal é usar um pano grosso com umas 4 a 6 amarras, formando uma cesta (berço), para o peixe, mas na falta deste, pode-se usar um passaguá grande, passando o gancho da balança pelo arco do mesmo, tomando cuidado para não machucar o peixe.

Todo o processo de pesagem e fotografia deve durar o menor tempo possível, para não estressar demasiadamente o peixe, os peixes de couro podem suportar 4 minutos fora da água sem causar nenhum stress.

Procurar evitar que várias pessoas batam fotos com o peixe, mesmo que seja família ou o melhor amigo, pois aumenta muito o tempo do peixe fora da água. Duas fotos bastam para registrar o peixe.

Lembre-se: “Mais importante que a foto ou o peso é o bem estar do peixe para que você e outros pescadores possam pega-lo de novo em outra ocasião”

Ao soltar o peixe, nunca o jogue, devolva-o cuidadosamente, valorizando o prazer que ele deu ao fisgá-lo e na briga, espere ele se recuperar um pouco, mesmo em pesqueiros onde não tem predadores naturais.

A técnica da pescaria e iscas

Quando em um quiosque ou no seu ponto de pesca, você deve procurar observar a geografia do ponto, ou seja, se existem estruturas, entradas no barranco, vegetação flutuante, etc. Dispor as varas próximas uma das outras, normalmente coloco duas iscas, uma viva e outra morta bem perto uma da outra, 2 ou 3 metros da margem e perto de uma vegetação ou estrutura e uma terceira isca um pouco mais para o meio e as vezes até um pouco mais distante. Desta forma, nunca enrosquei ou provoquei qualquer inconveniente para o pesqueiro ou colegas. Importante, como as iscas estão perto do barranco, é importante não ficar andando por perto, para não afugentar os peixes menores e ate mesmo a chegada dos grandes peixes.

Usando três varas você pode deixar uma do lado esquerdo, na margem (barranco), menos de 1 metro, uma do lado direito também na margem (barranco) a 2 metros e outra no meio a 3 metros, desta forma você formou um triangulo, cercando uma área perto do barranco. O conjunto que esta no meio, se não estiver batendo mesmo, vc pode afastar para 4, 5, 6 metros ou até mais longe, principalmente de dia.

Outra técnica é colocar as iscas em linha, ou seja, fazendo uma reta com as 3 iscas, as vezes não adianta ficar espalhando, já jogou batalha naval, mas vale 3 tiros em linha e perto do que 3 tiros isolados no meio.

Normalmente a isca que fica mais perto do barranco, uso a tilápia viva ou cabeça de peixe, a segunda isca, a cabeça de peixe e a terceira, novamente a tilápia viva ou outro tipo de isca viva, podendo alternar a ordem de iscas.

A pesca de peixes de couro é uma pescaria de espera, ou seja, tem de esperar o peixe passar e achar suas iscas, por isso é importante deixar o local bem tranqüilo, sem agitação na água, sem barulho e movimentação no barranco. Se for a noite a iluminação tem de ser a mínima possível, deixando o mais natural possível.

Deixar as varas juntas também ajuda, pois se você está afastado e visualizando seus conjuntos, você olha em uma única direção e pode posicionar sua barraca, rede, cadeira, acampamento, etc de modo a observar melhor. Procuro sempre montar meu acampamento a uns 5 metros do ponto onde montei meus conjuntos, quando é possível para evitar movimentação perto do barranco.

A pesca de peixe de couro não conflita no espaço, com as outras pescarias porque você pode explorar mais o barranco e regiões próximas as margens e estruturas.

Procurar jogar a isca, não arremessar, colocar as iscas, cuidadosamente, nas margens com reentrâncias, curvas, com vegetação na superfície ou perto de estruturas e pedras na água. Mas cuidado, quanto mais perto de estrutura você colocar a isca, mais fácil será de pegar, mas mais fácil será enroscar e você perder o peixe, dai tem de ficar fazendo mágica, se arriscar ou perder o peixe.

Tem de avaliar a distância da estrutura de acordo com o equipamento e regulagem da fricção.

Procure não pescar em cima de decks e plataformas, todos os pescadores mais experientes e conscientes não pescam peixes de couro nestes lugares. Porque é fácil pegar, mas muito difícil tirar, o peixe vai entrar e se enroscar completamente, além do que vai estressar o peixe, enquanto você tenta erguer o peixe com a vara e caminhar ou tentar arrasta-lo ou coloca-lo na plataforma. O peixe pode se machucar batendo na madeira, em pontas, pregos e fendas. Na verdade não tem o prazer da briga, nem corrida com tomada de linha e se tiver muita sorte de tirar o peixe, deve ser logo devolvido. As chances maiores são dos peixes escaparem, ficarem enroscados e ficarem com os anzóis na boca.

A isca morta que uso é a cabeça de peixe, que pode ser achada na feira, se achar de peixe de água doce, melhor, mas de peixes de água salgada também servem, a de corvina é a melhor. O tamanho deve variar com o tamanho do anzol, para anzol 10/0, uma cabeça de peixe com 1 a 2 quilos. Agora nada impede de você conseguir pegar Pirarara ou outros peixes de couro, com qualquer outra isca, massa, salsicha, carne, queijo, etc.

Com relação às iscas vivas pode-se usar tuvira, pirambóia, minhocoçu, traíras, cascudos, tilápias e piaus. Fisgue pelas costas, quanto mais na extremidade dorsal melhor deixando a ponta do anzol bem exposta. Se o peixe for muito pequeno, exemplo, lambaris e tilápinhas, pode-se passar o anzol pelo olho ou narina, reduzindo o tamanho do anzol. O anzol sempre deve ser proporcional ao tamanho da isca. O chumbo também deve ser proporcional. Ex.: para uma tilápia de 500 gms um chumbo de 250 gms.

Procurar explorar as margens, mas às vezes as pirararas batem no meio, quando estão de passagem. Elas podem sair para comer a qualquer horário, mas no fim de tarde, à noite, e no amanhecer são os períodos mais comuns, mas não pense que é fácil não, elas estão muito ariscas e seletivas, normalmente tem muita comida no lago pra elas.

O peixe de couro engole sua presa inteira e depois seu estômago faz a digestão lentamente. No caso da Pirarara, o ciclo dela inicia com o estômago vazio e ela sente uma vontade incontrolável de comer e se sentir cheia, é comum em aquários você observar ela comendo pedras até estufar seu estômago e depois regurgitar, quando não acha nenhum tipo de comida, só para satisfazer a vontade de comer. Depois de se satisfazer, ou seja, de estômago bem cheio, até deformado, ela apoita verticalmente com a cabeça para cima, para ajudar a descer todo o alimento ou na horizontal, perto de uma estrutura ou barranco, por aproximadamente 24 horas, neste período ela não come, mesmo se a preza passar pela sua boca, em seguida ela se encosta verticalmente com a cabeça para baixo ou inclinada também em uma estrutura, pau ou barranco e regurgita os restos que não puderam ser digeridos, exemplos: espinha dorsal, pequenos ossos, etc. A partir deste momento ela retorna ao ciclo e começa a comer novamente. Este ciclo normalmente demora de 48 a 72 horas dependendo do tamanho do peixe.

Sou aquarista há 35 anos e sempre tive peixes de rio em meus aquários, Pirararas, Cacharas, Pintados, Aruanas, Surubins, Bico de pato, jaus e Pirarucus o que me ajudou muito em avaliar o comportamento destes peixes.

Se você deixar a linha solta, não deixando esticada e tencionada, deverá ter maior efetividade nas suas fisgadas, pois os peixes de couro costumam abocanhar suas iscas e sair nadando e neste momento se ele já sentir a tensão da linha, ele pode soltar a isca antes do anzol chegar a boca do peixe. Deixando solta, aproximadamente uns 2 metros o peixe poderá nadar um pouco e alojar a isca toda dentro da boca e assegurando a fisgada do anzol.

Pesco peixes de couro a mais de dez anos e já fisguei mais de 370 pirararas e 200 pintados e cacharas em pesqueiros e em rios.

Segue mais algumas fotos de belos exemplares:

Para dúvidas, utilize o canal de comentários abaixo, responderemos aqui mesmo o mais breve possível.

Abraços e Boas Pescarias

Bruno Pirarara

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